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II – DO INGRESSO NA POLÍTICA AO EXÍLIO (1888-1896)

Por , 16 de julho de 2013 3:30 pm

II – DO INGRESSO NA POLÍTICA AO EXÍLIO

(1888-1896)

 

Não se tem ao certo como precisar quando Seabra passou a se interessar pela política, com uma participação mais direta e ativa. Sabe-se que, assim como Severino Vieira, ele “cria” política do velho Conselheiro João José de Oliveira Junqueira Júnior, Ministro da Guerra no Gabinete Rio Banco, entre 1871-1875, e do Gabinete Cotegipe (João Maurício Wanderley), em 1885[1].

Mas, desde cedo, Seabra procurava se inserir na política, ainda que fosse mandando telegrama aos dirigentes políticos, elogiando-os por seus atos[2]. A essa época, inclusive, chegou a mandar carta para o Conselheiro João Lustosa da Cunha Paranaguá insinuando que seu cunhado, José Augusto Freitas, teria sido lesado no concurso para lente de professor da Faculdade de Recife, quando concorreu com Tobias Barreto, que não poderia competir “sob o ponto de vista da moralidade”[3].

Durante o Império, cuidara quase que exclusivamente de suas atividades de professor na Faculdade de Recife e da advocacia que exercia naquela cidade, além do curto período na Promotoria Pública em Salvador. Ocupara-se dos negócios públicos apenas na imprensa, escrevendo artigos sobre os fatos políticos então vividos[4].

É certo, porém, que, em carta dirigida ao Barão de Cotegipe, datada de 12/03/1885, afirma que pretendia se candidatar a deputado pela Província da Bahia[5].

Por duas vezes os acadêmicos da Faculdade de Direito do Recife apresentaram o nome de Seabra ao Diretório do Partido Conservador como postulante a uma candidatura nas eleições para a Assembleia Geral do Império. Em ambas não conseguiria sequer ser indicado[6]. Ao que parece, em realidade, Seabra teria sido candidato às eleições em 1886, em Pernambuco, tanto que surgiu um periódico satírico em Recife para combater a sua candidatura[7]. É fato, porém, que nas referidas eleições baiana Seabra obteve um voto para a Assembleia Geral, concorrendo com o Barão de Guaí[8]. Não é certo, porém, se ele, de fato, foi candidato ou apenas foi votado por algum simpatizante.

Somente na que seria a última eleição sobre o regime imperial, em 1889, é que Seabra se candidataria, oficialmente, a uma vaga de Deputado Provincial pela Bahia, concorrendo pelo Partido Federalista no 2ª Distrito da Capital.

Sua preferência era pelo Partido Conservador, mas, por ter o Diretório dessa agremiação decidido que os candidatos seriam os mesmos da eleição anterior e que não se elegeram e os deputados que tiveram seus mandatos extintos com a queda (em 07 de junho de 1889) do Gabinete Conservador do Senador João Alfredo Correia de Oliveira, Seabra acabaria se filiando ao Partido Federalista.

O Barão de Guaí[9], a quem Seabra se ligara depois da morte do Conselheiro Junqueira (em 09/11/1887), chegara a endossar a sua indicação, recomendando-a ao Diretório do Partido Conservador. Não obtendo sucesso mesmo com essa indicação, Seabra teria a oferta do seu padrinho político para se candidatar em sua vaga como candidato pelo 1º Distrito, mas, gentilmente, recusara esta oportunidade, preferindo concorrer por outro partido por discordar da decisão da agremiação Conservadora, que não abria oportunidade aos mais novos para ingressarem na política[10].

Seabra encontraria no Partido Federalista a oportunidade de lançar sua candidatura à Assembleia Geral do Império. Preferiu este partido por ter como bandeira principal a federalização do Império, pensamento que vinha defendendo há muito tempo como a salvação do regime monárquico.

Para as eleições, que se realizariam no dia 31 de agosto de 1889, Seabra desembarcaria em Salvador, procedente de Recife, no dia 4 do mesmo mês, dando início, de imediato, à sua campanha eleitoral pelo 2º Distrito[11].

Essa campanha seria diferente de todas as outras já havidas por estas plagas provinciais. Seabra realizaria meetings, um misto de comício, palestra e conferência, com a presença do povo. Iniciou e terminou a campanha proferindo palestras no Politeama Baiano (antigo teatro em Salvador), sendo a primeira no dia 11 de agosto e a última às vésperas (30/08/1889) das eleições, ante a presença de magistrados, políticos, comerciantes, jornalistas e gente do povo que com ele debatiam os temas mais controversos[12].

Além desses, realizou um meeting no Santo Antonio Além do Carmo, com a presença de mais de duas mil pessoas, no dia 13/08/1889, “subindo ele no gradil da igreja para se dirigir à multidão”[13]; no Largo de São Joaquim em frente à Igreja dos Órfãos de São Joaquim, no dia 17/08/1889, “de uma tribuna colocada naquele local”[14]; no Largo dos Mares, em 20/08/1889[15];  na freguesia de Brotas, no Largo do Castro Neves no dia 22/08/1889, terminando a conferência erguendo “um viva ao Imperador”[16]; e no Largo da Baixa dos Sapateiros, no dia 24/08/1889, ante a formidável presença, para à época, se não muito exagerada, de mais de quatro mil pessoas[17].

Prosseguiu sua campanha com outro meeting na matriz do Largo do Paço, no dia 25/08/1889, falando por aproximadamente uma hora[18]; no Largo da Madragoa, em 27/08/1889[19]; no Largo da Cruz do Cosme, na freguesia do Santo Antonio Além do Carmo, em 28/08/1889, “onde foi coberto de flores e levado entre vivas e admirações até a residência do farmacêutico Pedro Ivo, onde falaram Rocha Viana e Albuquerque e Olavo de Freitas, que fizeram a apologia da federação”, o que incentivou a Seabra a fazer outro discurso defendendo a monarquia[20]; e na Praça da Associação Comercial, no dia 29/08/1889, falando em pé “das grades que cercam a fachada da Associação Comercial”[21].

Seabra defendia, em sua campanha, o sistema federativo de organização das Províncias. Achava que a sua implantação seria uma “medida necessária, mesmo para prevenção da república, e da revolução”[22]. Vislumbrava, para o futuro do país, dois caminhos: “ou a federação ou a república e, portanto, a ruína”[23].

Defendia uma federação monárquica. “A República, ah! Deus nos livre dela por enquanto”[24], afirmava em campanha. Só via vantagens na federação, “sendo para considerar-se que é ela o único derivativo às aspirações provincianas e, portanto, o único preventivo da república”[25].

Discordava daqueles que achavam ser a federação um passo para a república. “Não há necessidade de abandonarmos uma forma de governo maleável e dúctil às aspirações e à vontade nacional, por uma desconhecida e em completo antagonismo com os nossos hábitos, tradições, costumes, etc”[26]. “Nós somos um grande povo para banharmos em sangue de irmãos os últimos dias daquele velho e sábio, que há 50 anos olhamos como pai”[27].

Pregava, ainda, o voto secreto e alertava o povo contra as promessas de emprego público, combatendo ferozmente os Partidos Conservador e Liberal, nos quais não via diferença de posições políticas[28].

Contudo, apesar dessas suas ideais progressivas para à época, Seabra era um tradicionalista e conservador. Foi escravocrata, tendo evoluído para defender sua extinção, mas com indenização aos senhores dos escravos[29], e defendia fervorosamente a monarquia. Assim como reconheceu seu erro em defender a escravidão[30], mais tarde, também, aderiria aos ideais republicanos, para sob este regime, por ironia, perfazer uma das mais belas carreiras políticas da República Velha.

Concorrendo contra o Conselheiro José Eduardo Freire de Carvalho, pelo Partido Conservador, e contra Eusébio Gonçalves de Almeida, pelo Partido Liberal, Seabra alcançaria o extraordinário sufrágio de 107 eleitores[31], num colégio eleitoral de mais pouco mais de mil e quinhentos eleitores[32] e no qual predominava o velho esquema dos conservadores e liberais[33]. O eleito, no entanto, seria o candidato liberal, com 774 votos, ficando o candidato Freire de Carvalho com 233 votos[34].

Com os seus meetings, estava Seabra introduzindo na Bahia uma nova maneira de fazer campanha política. “Até então, os candidatos costumavam dirigir-se ao eleitorado por meio de manifestos e cartas, quanto muito realizavam uma conferência num teatro ou no salão do órgão do seu partido”[35]. E foram dessas investidas eleitorais que se originou sua grande popularidade, alcançada, mais tarde, entre os soteropolitanos.

Tempos depois, Seabra recordaria essa sua primeira campanha eleitoral: “de freguesia em freguesia, sai fazendo meetings, pedindo ao povo o seu apoio em prol de minha candidatura e das minhas ideais, porque em então, como hoje, sustentava que era preciso que o povo conhecesse os princípios pelos quais se batiam os seus candidatos para votar com consciência e poder depois tomar-lhes conta de seus atos”[36]. Foi dessa campanha “arranca votos” que surgiu seu apelido de “João Miró”, numa alusão a um famoso dentista estabelecido em Salvador[37].

Nesses encontros com o povo, Seabra confirmaria, mais uma vez, sua extraordinária capacidade de oratória, conseguindo, por diversas vezes, empolgar a plateia que o acompanhava nos seus comícios, como também, no último meeting realizado no Politeama Baiano, demonstraria toda a sua excepcionalidade ao rebater os apartes do excelso tribuno baiano César Zama[38].

Logo após a eleição, Seabra seguiria para o Rio de Janeiro (dia 10/09/1889) para tratar de questões relacionada as atividades da Faculdade de Recife. Antes, porém, publica, no Jornal de Notícias de 03/09/1889, um manifesto agradecendo “à Província e especialmente ao eleitorado do 2ª Distrito” e afirmando que, no futuro, voltaria a ser candidato pelo mesmo colégio eleitoral.

Proclamada a República, Seabra, em Recife, já no dia 19/11/1889, apresenta seu apoio ao novo regime em manifesto aprovado pela Congregação da Faculdade de Direito[39].

Seabra retornaria à Bahia no dirá 09/02/1890 para, a convite do Centro Republicano Democrata, participar de duas conferências. A primeira foi realizada no dia 12/02/1890, no Teatro São João, quando, em discurso, fez crítica à monarquia, pois ela “não satisfaria às aspirações democráticas”[40].

O jornal Diário de Notícias, do dia seguinte, faria críticas à Seabra, em especial, pelo seu procedimento de incentivar os apartes para, depois, levar o apartista “ao ridículo ou execração pública”. Contudo, confirma que “como dispõe de incontáveis recursos, conseguiu não só pactar a atenção de seu numeroso e escolhido auditório por quase duas horas, como também ser muito aplaudido”.

Outra conferência seria realizada por Seabra no dia 23/02/1890, às 11 horas, agora no Politeama Baiano. Nela, Seabra ataca a monarquia, afirmando que ela era absolutista, dado o Poder Moderador, mas defende a ditatura provisória do Mal. Deodoro da Fonseca, ressaltando que a Constituinte iria aprovar ou desfazer seus atos. Nesta conferência esboçou o que seria de melhor para constar na nova constituição, defendo as eleições diretas, a divisão dos poderes em três (sem o poder moderador), etc[41]. O Jornal de Notícias afirma que essa foi a melhor conferência que Seabra havia feito no Estado.

Já com suas intenções políticas bem definidas, Seabra, aparentemente, não desejava retornar a Recife, pois chega a mandar telegrama ao então Ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, pedindo que lhe fosse assegurado um cargo na Alfândega de Salvador ou até na de Recife, “para educar os filhos”[42].

Em abril de 1890, Seabra, mais uma vez, seguiria para o Rio de Janeiro tratar de questões relacionadas à Faculdade de Recife, cujas atividades tinham sido suspensas por ato do seu Diretor. No dia 7 de maio, porém, Seabra se afasta da Faculdade, por 90 dias, para tratamento de saúde[43]. E, já no dia 10/05/1890, chega a Salvador para iniciar uma série de comícios visando a eleição de 15 de setembro[44]. A licença era conveniente…

Desta vez, porém, como a eleição não seria mais por distrito, ele teve que se deslocar pelo interior para angariar votos. Assim é que, no dia 18/05 realiza sua primeira conferência em Cachoeira, seguindo, depois, para Curralinho (hoje Castro Alves), para segunda conferência (20/05), tendo ficado, nesta cidade, hospedado na residência do juiz Landulfo Medrado[45]. De Curralinho, Seabra seguiu para São Félix (22/05), onde pronunciou “brilhante conferência”, deslocando-se, em seguida, para Feira de Santana, onde foi “estrepitosamente aplaudida’ sua conferência (25/05)[46].

Em sua incursão pelo interior, realizou outra conferência em São Gonçalo dos Campos, no dia 26/05/1890 e, depois, retornou á Cachoeira, para proferir nova conferência no dia seguinte (27/05/1890)[47].

No dia 08/06/1890, Seabra, após passar por Salvador, dirige-se para Alagoinhas, onde realizava novos comícios-conferências nos dias 08 e 09 junho. Em seguida, de trem segue para a Vila Nova da Rainha (atual Senhor do Bonfim), sendo recebido pelo dr. José Gonçalves da Silva (que governaria a Bahia entre 16/11/1890 e 24/11/1891) e, entre outros, seu aluno em Recife, o juiz Augusto Vergne de Abreu[48]. Ali, ele realizou novo comício perante uma “grande multidão”, que “ocupou a praça para ouvir o orador”[49].

Seabra, entretanto, não passaria imune às críticas. Nos dias 10 e 11 de julho de 1890, o Jornal de Notícias publica, por exemplo, as críticas lançadas pelo engenheiro Aloísio Accioli. Ele acusava Seabra de ter sido conservador e passado a ser liberal quando, inocentemente, acreditou que teria sido nomeado presidente da Província do Rio Grande do Sul em janeiro de 1885, após receber um falso telegrama mandado por um estudante. Lembrou que, na eleição passada, Seabra denominou a república como uma calamidade e que declarou que preferia o pior dos Orléans do que o melhor dos presidentes de uma república entre outras contradições.  De qualquer forma, sua candidatura ia de vento em popa, sendo certa sua vitória conforme notícias dos jornais[50].

Seabra, porém, continuava pelo interior, deslocando de Bonfim para Santo Amaro, onde não pode, em 11/07/1890,  realizar sua conferência pública devido às chuvas. No dia 13 de julho porém, realizava uma conferência em Maragojipe[51], retornando, em seguida, para Salvador.

Em 19/07/1890, Seabra publica no Jornal de Notícias uma “Carta Circular ao Digno Corpo Eleitoral do Estado da Bahia” pedindo votos, destacando que as instituições que governaram o país até o dia 15 de novembro desapareceram “e, conforme estou convencido, para sempre”. Afirma que “a nação guarda recordações do nobre e generoso imperador, mas não tem saudades da instituição que ele representava”. Volta a defender a federação como sustentáculo da coesão do território nacional e se declara um republicano, afirmando que lutou contra os dois partidos monarquistas na eleição passada.

Seabra, porém, tem que interromper sua campanha para retornar a Recife, já que sua licença médica estava se esgotando. E para justificar sua ausência, manda publicar, no Jornal de Notícias, do dia 09/09/1990, uma declaração aonde explica sua situação perante a Faculdade, da qual não pode mais se licenciar. Nesta declaração aponta que seria defensor da federação, da descentralização administrativa e descentralização politica.

Seabra se candidatou à Constituinte pelo Partido Republicano Federalista, tendo sido, também, indicado pelo Centro Republicano Democrata[52], fundado por Virgílio Clímaco Damásio.

Foi eleito, em 15/09/1890, como o terceiro mais votado deputado, com 43.277 votos[53], representando a Bahia na Assembleia Constituinte ao lado dos senadores eleitos Virgílio Damásio e Ruy Barbosa e dos demais deputados: Amphilophio Botelho Freire de Carvalho, Antônio Euzébio Gonçalves de Almeida, Antonio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque (Barão de Villa Viçosa), Aristides Cesar Spínola Zama, Arthur Cesar Rios, Custodio José de Mello, Dionysio E. de Castro Cerqueira, Francisco Aristides A. Milton, Francisco de Paula Argollo, Francisco dos Santos Pereira, Francisco Maria Sodré Pereira, Francisco Prisco de Souza Paraizo, Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque, Joaquim Cardoso Pereira de Melo (Barão de S. Marcos), Joaquim Ignácio Tosta, José Augusto de Freitas (seu cunhado), Leovigildo do Ypiranga Amorim Filgueiras, Marcolino de Moura e Albuquerque e Sebastião Landulpho da Rocha Medrado[54].

Seabra contava, nesta época (1890), com 35 anos de idade. Após retornar de Recife em 28/10/1890[55], no dia 03 de novembro Seabra partia de Salvador para o Rio de Janeiro para tomar posse como deputado constituinte.

Logo na sessão inaugural da Assembleia Constituinte, em 15/11/1890 – uma abertura solene -, depois da leitura da mensagem do Presidente Provisório, Marechal Deodoro da Fonseca, Seabra foi o primeiro que pediu a palavra para, oralmente, requerer a nomeação de uma Comissão para, em nome da União, cumprimentar o Chefe do Governo Provisório[56].

Seabra começava a espantar a Assembleia por sua estreia ousada, quanto mais por propor algo de agrado ao Marechal Deodoro que já tinha em oposição muitos Constituintes. “A minha proposição desabou uma enorme tempestade na Constituinte. O diabo” – recorda-se Seabra, 52 (cinquenta e dois) anos depois.

“- Eis a minha estreia parlamentar. Danada não foi?”[57]

Aceita a indicação, foi nomeada uma comissão composta pelos senadores Amaro Cavalcanti, Eliseu Martins, Almeida Barreto e Ramiro Bacelar e pelos deputados Jacques Ouriques, Theófilo dos Santos, Inocêncio Serzadello, Custódio de Mello e o próprio Seabra[58].

No debate a respeito da competência da Assembleia Constituinte em legislar ordinariamente, Seabra se colocou dentre aqueles que defendiam o pensamento de que esta consistia em tão somente em “fazer a Constituição, organizar os poderes ordinários, marcar as atribuições, não podendo exercer funções legislativas nem fazer delegações de poderes que não lhe foram conferidos”[59].

Defendeu, durante os trabalhos da Assembleia Constituinte, a dualidade da magistratura, “não compreendendo Estado (membro da federação) sem Poder Judiciário seu e autônomo”[60].

Por essa época, aliara-se à política implementada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, chegando a defender, na tribuna da Constituinte, os atos administrativos da política financeira implantados pelo então Ministro da Fazenda Ruy Barbosa, a quem, diga-se de logo, por mais de duas décadas, se aliaria e se tornaria adversário em várias oportunidades.

Seabra, não só, defendeu a política do encilhamento, como a queima dos documentos ligados à escravidão, por ordem de Rui Barbosa, que, com essa medida, buscava evitar os pedidos de indenização dos antigos senhores de escravos. Seabra chegou a propor moção de congratulação à Rui Barbosa, que foi aprovada pelo Congresso[61]. Seabra que defendera a indenização, antes de libertação dos escravos, agora aplaudia a queima dos documentos que poderiam respaldar os pedidos de pagamento pela perda dos escravos.

Ainda na Assembleia Constituinte, Seabra combateu as moções em que convidavam o Governo Provisório a suspender o Tratado de Comércio com os Estados Unidos da América, julgando incompetente aquele parlamento para deliberar a respeito e por achar essa medida prejudicial aos interesses dos brasileiros[62].

Promulgada a Constituição é eleito, em caráter definitivo, de forma indireta, inclusive com o voto de Seabra, o primeiro governo republicano com a continuação do Marechal Deodoro da Fonseca na Presidência da República e a eleição do Marechal Floriano Peixoto como Vice-presidente. També, é implantado Parlamento ordinário, dividido em Senado e Câmara dos Deputados.

Já aí o país ingressava em tumultuado processo de deterioração política, culminando com o golpe de Estado desfechado em 03 de novembro de 1892, pelo Presidente Deodoro da Fonseca, com o fechamento do Congresso nacional e, por fim, com a sua renúncia, em 23 de novembro, diante do contragolpe articulado pelo Vice-presidente Floriano Peixoto.

Seabra, que sempre esteve ao lado das propostas de Deodoro na tribuna da Câmara dos Deputados, não concordou com essas atitudes golpistas do generalíssimo.

Imediatamente depois da renuncia do Mal. Deodoro, o Vice-presidente assume a Presidência da República, revogando o ato de dissolução do Congresso Nacional e convocando-o extraordinariamente para deliberar sobre as leis anuais em matéria eleitoral.

Em dezembro de 1892, o Mal. Floriano começava a sua política de deposição dos governos estaduais que lhe eram hostis. A oposição parlamentar estava a se manifestar contra. Aquelas atitudes feriam os princípios federativos com os quais muitos parlamentares se bateram durante os trabalhos da Constituinte e que foram aprovadas e implantadas pela nova Constituição.

Ruy Barbosa, tanto no Senado, como no Jornal do Brasil, cuja direção assumira, defendia intrepidamente os perseguidos por Floriano. Na Câmara, Seabra, ao lado de Epitácio Pessoa e José Mariano, seu antigo amigo e agora deputado por Pernambuco, liderou ferozmente a oposição ao novo governante[63].

Seabra combateu veementemente as deposições estaduais, colocando-se ao lado do Governador baiano José Gonçalves, que também fora vítima da política florianista.

A situação do governo piorava com o passar do tempo e a oposição aumentava a cada dia. Mal-estar econômico e prenúncios de crises comerciais e bancárias afetavam a situação. Estouram várias revoltas pelos Estados.

Em 6 de abril de 1892 é divulgado o Manifesto dos Treze Generais, pedindo a convocação das eleições presidenciais como estava previsto na Constituição para os casos de vacância do cargo antes de decorridos dois anos do início do período presidencial (art. 42 da Constituição de 1981). Floriano reformou os treze generais.

No dia 10 de abril outro ato público de protesto contra o Mal. Floriano. A pretexto de prestar uma homenagem ao ex-presidente Deodoro da Fonseca, a oposição procurou desencadear um movimento revolucionário, mas a doença do Generalíssimo o impediu de comparecer ao comício marcado em sua homenagem.

Antes, lá

“pelas 7 horas da noite, um grupo numeroso de sediciosos, com uma banda de musica à frente e precedidos pelo Capitão reformado Miranda de Carvalho, dirigiu-se em desordem ao centro da cidade para a casa onde reside o ex-presidente da República.

Aí chegados os mandatários da aclamação sediciosa, falaram, de uma das janelas da residência do marechal Deodoro, o Dr. José Joaquim Seabra, deputado federal, e o Dr. Pardal Mallet, redator-chefe do Combate.

Estes cidadãos, em discursos violento contra o governo constituído, excitaram os indivíduos do grupo manifestante a irem depor o Marechal Floriano Peixoto do supremo cargo da República e dele investir o marechal Manoel Deodoro da Fonseca”[64].

O povo compareceu ao Largo da Lapa, no Rio de Janeiro, local escolhido para as homenagens. Em seguida, foram para a residência do Marechal Hermes da Fonseca, na Rua Senador Vergueiro. Lá Seabra, Clímaco Barbosa, Pardal Mallet e outros fizeram discursos a favor do Mal. Deodoro. Seabra, “em linguagem violenta, depois de lançar sobre o governo palavras de fogo, incitou a multidão a ir ao Itamarati depor o vice-presidente”[65]. Logo depois a multidão, tendo a frente o então tenente-coronel Mena Barreto[66], seguiu em direção ao Palácio do Itamaraty, na então Capital Federal.

Custódio de Mello noticia que, durante o seu discurso, Seabra foi informado que os batalhões do exército haviam saído dos quartéis para depor o Presidente. Seabra, então, bruscamente, mudando de assunto, “verbera com a maior violência o Governo do Marechal Floriano e concita o povo a ir depô-lo e aclamar o Marechal Deodoro”[67]. Ocorre que, de fato, os batalhões saíram dos quartéis, só que para defender o Presidente Floriano. Mais tarde, Seabra, em discurso na Câmara dos Deputados, em 22/09/1892, confirmaria que uma pessoa disfarçada tinha afirmado que as forças do exército já estavam nas ruas[68].

Floriano, já tendo tomado conhecimento das intenções de seus opositores, neste mesmo dia 10 de abril, redigiu um decreto em que declarava estado de sítio para o Distrito Federal e suspendia as garantias constitucionais por 72 (setenta e duas) horas. Enquanto isso, tropas do Exército cercavam o local onde os conspiradores estavam reunidos, na residência do Sr. Manoel Lavrador, e, depois de longo tiroteio, prendiam o Deputado Seabra juntamente com Severiano da Fonseca, Campos da Paz e outros[69].

“Tendo denúncia de que no prédio n° 21 da rua da Relação, a pequena distância da repartição da Polícia, havia depósito de armamento, e nele se estavam reunindo indivíduos no intento de conspirarem contra a ordem pública, encarregou o Chefe de Polícia ao 2° Delegado de ir com uma força ao local a fim de verificar a denúncia.

Dado cerco ao prédio, dele foram disparados tiros de revólver, o que indicava plenamente existirem ali alguns dos conspiradores. Sendo imediatamente tomado de assalto, nele foram presos os Drs. Campos da Paz e Clímaco Barbosa, o Deputado federal Dr. José Joaquim Seabra, os cidadãos Manuel Soares Lavrador e Severiano da Fonseca, todos armados de revólver, e a seguir foi apreendido todo o armamento no mesmo reduto encontrado”[70].

Seabra, posteriormente, em discurso na Câmara dos Deputados, apresentou outra versão para os fatos, negando qualquer tiroteio[71]. Anteriormente já tinha declarado que a manifestação em favor do Marechal Deodoro era de caráter pacífica[72].

Jornais da época, ainda, denunciaram que, em verdade, toda a radicalização da manifestação decorreu da ação de agentes do governo infiltrados entre os populares. Por essa versão, Floriano procurava criar um pretexto para decretar o estado de sítio e afastar do Rio de Janeiro e do Congresso Nacional aqueles que lhe combatiam com mais ferocidade[73]. Os gritos dos populares pedindo que seguissem para a casa de Deodoro e depois incitando a deposição de Floriano Peixoto seriam de policiais infiltrados[74].

O certo, porém, é que no dia seguinte, o Governo resolveu ordenar a prisão e o desterro de todos os implicados na trama conspiratória. Foram arrolados os nomes de 45 pessoas. Por ato de 12 de abril de 1892 (DOU de 13/04/1892, p. 1), “Considerando que maus cidadãos, abusando das imunidades dos cargos em que os investiu a soberania nacional, atentaram contra ela própria, que tanto vale conspirar contra os seus legítimos e constitucionais representantes; considerando que é supremo dever do governo a manutenção da ordem e segurança pública… considerando que, a pretexto de manifestar apreço ao cidadão que primeiro exerceu a Presidência da República, praticaram atos bem característicos de conspiração e sedição…”, Floriano Peixoto resolveu desterrar o Deputado Federal Seabra, desrespeitando as suas imunidades parlamentares, para Cucuí (Cucuhy), no Estado do Amazonas[75].

Seabra foi mandado para a prisão-desterro sem sequer ter sido interrogado em qualquer inquérito policial.

Com ele também foram desterrados, para a mesma localidade, o Mal. reformado José de Almeida Barreto, o Cel. Reformado e deputado Alfredo Ernesto Jacques Ourique, o Major reformado Sebastião Bandeira, o Capitão reformado Antonio Raymundo Miranda de Carvalho, o Capitão-tenente reformado José Gonçalves Leite, o Capitão reformado Gentil Eloy de Figueiredo, José Carlos do Patrocínio, Plácido de Abreu, Manoel Lavrador, Dr. Arthur Fernandes Campos da Paz e o Conde de Leopoldina (Henry Lowndes)[76]. Outros opositores a Floriano, pelo mesmo decreto, foram desterrados em Tabatinga e São Joaquim, também no distante Estado do Amazonas.

Vale frisar que o referido Decreto de desterro foi também assinado por Rodrigues Alves (futuro Presidente, de quem Seabra seria Ministro) e pelo Alm. Custódio José de Mello (baiano e deputado constituinte eleito junto com Seabra e com quem se aliaria na Revolta da Armada). Na mesma oportunidade, Seabra foi demitido do cargo de professor da Faculdade de Recife.

Cucuí, “sala de espera do inferno”[77], era um posto militar avançado, estabelecido à margem esquerda do Rio Negro, nos limites do Brasil com a Venezuela e Colômbia[78]. De Manaus, descendo o rio Negro, em condições favoráveis, a viagem podia ser feita de 17 a 20 dias[79]. Estavam, pois, os desterrados, impedidos de levarem a efeito qualquer reação a essa medida ante o isolamento a que foram confinados.

Os desterrados partiram para Cucuí no dia 14 de abril de 1892, após permanecerem detidos desde o dia 12 de abril numa “prisão promíscua”[80] no Rio de Janeiro. Ruy Barbosa, o paladino das liberdades civis, impetrou habeas corpus perante o Supremo Tribunal Federal, escrevendo uma das suas melhores peças processuais e proferindo mais uma das suas “orações” perante a Corte Suprema. Referindo-se a Seabra, o “Águia de Haia”, que esteve presente à partida dos presos no Cais do Porto no Rio de Janeiro, orava: “Outro desterrado, senhores juízes, membro do Congresso, lente de uma faculdade jurídica, passou por convícios de tal ordem, que as lágrimas lhe arrazavam os olhos, e a mão, que não podia levantar-se contra os baldeadores seguros da superioridade material, mostrava, como a mais irrefragável das respostas ao insulto, uma cédula de vinte mil réis, soma total da riqueza com que partia para o desterro indefinido”[81].

Esse habeas corpus foi indeferido pelo STF, talvez por causa da ameaça do Mal. Floriano, que teria dito que não saberia quem iria julgar o habeas corpus a favor dos membros daquele Tribunal caso fosse concedida a medida requerida por Ruy Barbosa em favor dos desterrados[82]. Mesmo assim, um Ministro do Supremo, Piza e Almeida[83], ainda votaria favoravelmente ao habeas corpus. Mais tarde, Ruy Barbosa, confessaria que esse voto foi a “maior emoção de sua vida”, por ter aquele juiz salvo “sua esperança na Justiça”[84].

A bordo do paquete “Pernambuco”, os presos seguiram caminho para seus destinos incertos e indefinidos. Eram nomes ilustres, graduados das Forças Armadas, nas letras, na sociedade, todos seguindo para o desterro, obra de um ato de arbítrio desmedido. Os jornais ironizavam a situação: “às 3 ½ horas da tarde, de uma bela tarde, calma e serena, de céu azul e mar calmo, levantou ferros o paquete Pernambuco, […], fretado especialmente para conduzir os desterrados, que leva a seu bordo”[85].

No embarque, a polícia de Floriano impediu que os amigos mais íntimos e os familiares fossem levar aos desterrados o conforto do adeus. De todos os desterrados, Seabra seria o que, mais tarde, elucidaria os mistérios dessa longa odisseia pela costa brasileira até o local do confinamento e a vida deles naquele exílio da civilização.

“A bordo, logo nos primeiros dias, houve uma espécie de conspiração, tinha sido projetado adormecer (matar) a oficialidade antipática ou hostil aos prisioneiros, inclusive o comandante militar. Feito isso, o vapor tomaria o rumo da Europa, para o que contavam os revoltosos com as boas graças do piloto. A ideia ia em marcha. Ao terem de executá-la, porém, os desterrados meditavam nas consequências de um plano tão atrevido… o senso jurídico dos insurretos manifestou-se em tempo, advertindo aos mais exaltados de que aquela posse forçada do navio podia ser considerada um ato de pirataria. Nestas condições, o plano foi posto à margem e a viagem prosseguiu sem maiores transtornos ou incidentes”[86].

A reação da população logo se fez revelar. Em Recife, a Faculdade de Direito, em peso, lança um manifesto de apoio a Seabra, datado de 11/05/1892[87].

Com destino à Amazônia, os desterrados não tardaram a chegar a Belém do Pará, “onde são recebidos pela curiosidade e admiração do povo”[88]. Nessa cidade nortista, os desterrados tiveram a oportunidade de impetrar um habeas corpus perante o Juiz Federal local, mas a medida judicial foi liminarmente indeferido por entender o magistrado que não lhe cabia decidir diante de medida idêntica anteriormente impetrada a favor dos mesmos pacientes perante o STF pelo Senador Ruy Barbosa[89]. Os prisioneiros desconheciam a iniciativa do senador baiano.

A viagem prosseguiu até chegar à Ilha de Marapatá, ao largo de Manaus, a bordo do navio Pernambuco. Chegaram em Manaus no dia 28 de abril.  Lá, os desterrados foram abastecidos de mantimentos graças à solicitude do Conde de Leopoldina, um comerciante bastante rico da Capital Federal. Em Marapatá, os prisioneiros seriam separados de acordo com o local para onde foram desterrados: alguns seguiriam para São Joaquim, pelo Rio Branco; outros, para Tabatinga, pelo Rio Tapajós; e o grupo ao qual Seabra estava incorporado, para Cucuí, subindo o Rio Amazonas para depois pegar o Rio Negro.

Nessa etapa de viagem, os desterrados, em Manaus, ficariam incomunicáveis à espera da partida para Cucuí.

“Os desterrados a Cucuí chegaram a Manaus em 28 de abril e logo foram notícias do Diário de Manaus que manifestou total apoio aos mesmos. De primeiro rebateu uma nota publicada no Comércio do Amazonas: ‘Em Manaus, a notícia da chegada de Pernambuco foi recebida com frieza; não aconteceu o mesmo no Pará, onde os presos – ao ser permitida a entrada a bordo às pessoas munidas de precisa autorização – foram visitados por pessoas de todas as classes’. Notícia falsa, exclamou o Diário de Manaus. Ao povo manauense não foi permitido entrar no vapor Pernambuco e muito menos ficou sabendo com antecedência da chegada dos presos políticos. “Somente na manhã do dia 29, por volta das 9 horas, foi que a cidade soube que ali se achavam os prisioneiros políticos, cuja chegada, aliás, se pensava não teria lugar antes de 2 ou 3 deste mês”[90].

Em Manaus, os desterrados ficaram isolados, mas o Diário de Manaus, porém, se manifestou a cerca da impossibilidade da vista:

“Se esta permissão houvesse sido concedida aqui, como foi ao Pará, estamos certo que o contemporâneo mesmo ter-se-ia apressado, como nós, e muitos outros, a ir a bordo do ‘Pernambuco’ oferecer aos nossos ilustres compatriotas, entre os quais contamos confrades da imprensa, as seguranças de estima e admiração que lhes tributamos com a mais sincera cordialidade”[91].

Sobre o que esperava o grupo desterrado em Cucuí, o então governador do Amazonas, Eduardo Ribeiro, relatou ao Mal. Floriano o péssimo estado que se encontravam os fortes. Em telegrama informou “que os fortes estão completo abandono sem comandante [de] confiança sem suficiente guarnição”[92].

O isolamento dos presos, em Manaus, porém, acabou por ser violada. Isso porque o Diário de Manaus publicou um protesto escrito e assinado por todos os desterrados. Neste documento os desterrados reclamavam do lugar destinado para cumprir a prisão. Longe e distante de qualquer comunicação, de difícil acesso e de provável insalubridade. “Mais ainda: … o posto militar de Cucuí não tem casas, nem hospedaria, nem habitação por mais modesta e menos confortável, em que os desterrados se abriguem. Não há também comércio em que estes possam prover-se dos gêneros de primeira necessidade”[93].

Protestavam, ainda, contra os atropelos das leis e do destino que lhes foi reservado, pois se tratar da viagem a Cucuí a mais “feia e desumanamente, a mais revoltante tentativa de assassinato, sob a máscara da pena de desterro”[94].

“As medidas tomadas pelo governo do Amazonas foram para tornar os presos sem qualquer comunicação. O vapor Pernambuco, segundo as instruções recebidas do governo, deveria ficar no porto da ilha de Marapatá, próximo a Manaus. Ninguém, sem autorização do governador, deveria subir a bordo, além das forças policiais em prontidão para qualquer evento revolucionário motivado pela presença dos desterrados”[95].

Partiram de Manaus, subindo o Rio Negro, até a vila de Santa Isabel do Rio Negro[96], de onde deveriam seguir em barcaças até Cucuí, numa viagem calculada em cerca de um mês. No comando da expedição estavam os tenentes Rego Barros a Cândido Mariano[97]. “Descendo do rio, a viagem até Cucuí, sendo boa pode ser feita em 17 a 20 dias; subindo-o, porém, toma às vezes de 1 mês e mais, pelas dificuldades das cachoeiras”[98].

Neste trecho da viagem, embarcou o Conde Ernesto Stradelli[99], correspondente da Sociedade de Geografia de Roma, explorador e estudioso das regiões amazônicas, que seguiria no vapor para mais uma viagem de suas explorações e estudo. Os conhecimentos do Conde Stradelli sobre a vida na Amazónia seriam transmitidos aos desterrados nesses dias, ensinamentos que acabariam sendo bastante úteis aos prisioneiros que pouco ou nada conheciam daquelas longínquas terras inabitadas[100].

Contudo, graças ainda à presença do Conde de Leopoldina, “cujos haveres continuavam a operar milagres em plena selva, as embarcações enviadas a Santa Isabel para conduzir os exilados ao verdadeiro lugar de destino acabavam sempre por ir ao fundo, submergidas pela carga das gorjetas com que o Conde comprava a dedicação dos pilotos”[101]. Em verdade, não havia nem barcos, nem gente para remar[102].

Seabra, conta, então, que em Santa Isabel do Rio Negro somente existiam “duas casas de palha habitadas, uma, por um indivíduo chamado Paleta, e outra  por um outro de nome Castro. Defronte existe um rochedo, se o Sr. Marechal Almeida Barreto denominou com muita propriedade Rochedo da paciência, onde há uma casa coberta de palha, o chão sem nenhum calçamento, com uma porta que desce do teto, com dois quartos e um avarandado para traz, descoberto. Essa casa serve de depósito para borracha. O seu proprietário morando distante, tem necessidade de transportar a borracha para aquele barracão a fim de esperar os vapores. Pois bem, o Sr. Conde de Stradelli, que conhecia o proprietário daquela palhoça, foi quem, sem mesmo o seu consentimento, tomou conta do barração para que fossemos ali morar”[103].

Armaram, então, redes para dormir, em dois planos, uma por cima da outra, de tão pequeno que era o barraco[104]. Seabra ficou num dos cômodos, com mais seis pessoas[105]. “Nenhuma vizinhança, a não ser das cobras e dos mosquitos[106]. A despeito das privações de todas as espécies por que passavam e das condições subumanas em que viviam, com a falta de mantimentos e exposição aos perigos da selva, ninguém pensava em se mudar.

José do Patrocínio, por seu lado, do desterro, envia uma carta ao jorna Cidade do Rio, cujos trechos foram lidos pelo deputado Luiz Murat durante a sessão para a Câmara dos Deputados de 14 de junho de 1892, denunciando:

“O lugar é muito doentio. Toda a gente é amarela, doentíssimo do fígado e dos sezões. O cemitério fica a duzentos metros de nossa barraca. Depois de nossa chegada aqui, 4 de maio, até hoje, 15, já se enterraram dois cadáveres e população não chega nessa redondeza a 200 almas. Imagina como temos consumido arsênico e sulfato de quinina.

A humidade é tal que a roupa fica toda mofada e amanhece molhada.

Nossa casa não tem assoalho; o rio continua a encher caudalosamente; já estamos ilhados, a qualquer dia esperamos que a água nos invada a barraca e fiquemos com as redes suspensas sobre o lamaçal.

O povo daqui tem-se negado a prestar-se ao governo, fornecendo-lhe canoas e índios para transportar-nos. Dizem que não querem ser cúmplices de um crime, porque acreditam que não podemos resistir à viagem. Teremos de subir cachoeiras, corredeiras e viajar por lugares onde durante 3 ou 4 dias não se encontra uma casa. Quer dizer que teremos de cozinhar no mato e dormir no mato! E chove aqui todo dia e o lugar é uma fábrica de febres. Pensa nisto: 45 dias de tal martírio, sem notícias de ninguém, entregues à força das intempéries, sem notícias da família e dos amigos, sem recursos e sem liberdade. E se nos falta comida, que moramos de fome, porque as ilhas estão inundadas e o rio a transbordar, não se prestam à caça, nem à pesca…

Nunca se imaginou tamanha maldade contra homens civilizados: é uma tentativa de assassinato clara…”[107]

Santa Isabel era um paraíso em comparação ao que os esperava em Cucuí, “desterro da morte certa”[108]. Não conheceram Cucuí, nem por isso deixaram de experimentar e amargar as doenças epidêmicas da região, atacadas que foram pela febre palustre.

Seabra seria uma vítima deste mal. Picado por mosquito, seria assaltado por uma doença que se acomodara no baço e que, ardendo no sangue, fez-lhe cair em febre intermitente, “tendo tido um acesso de 41 graus com fenômenos nervosos e se bem que se tenha curado, não está, entretanto, de todo restabelecido, porquanto, resta-lhe um embaraço gástrico”[109]. Dois companheiros de desterro, Campos da Paz, médico, e José do Patrocínio, farmacêutico, passaram a receitá-lo e cuidar de sua saúde. A morte rondava por perto. Antes dele, o criado do Conde de Leopoldina, vítima do mesmo mal, acabou por falecer[110].

Estava Seabra em completa prostração e mal podia erguer a cabeça para tomar os medicamentos. Campos da Paz pouco lhe dava pela vida, sem, no entanto, desanimar, passando a lhe ministrar novos ingredientes, aumentando as dosagens. Seabra acabaria por melhorar[111]. Passada a fase crítica, Patrocínio, entre lágrimas, anunciava a salvação de Seabra[112].

A alimentação seria outro problema a ser enfrentado. O “Diario de Manáos” chegou a noticiar a falta de alimentação adequada enviada pelo governo, já que reduzida a “carne seca, bacalhau, arroz e bolachas”[113]. “Enquanto esperavam, alimentaram-se com papagaios caçados pelo seu colega Jacques Ourique”[114]. O Governador do Amazonas chegou a proibir a remessa de alimentos para os desterrados e até dos soldados que os acompanhavam[115].

O dinheiro do Conde de Leopoldina, no entanto, continuava a operar milagres, pois financiava os gastos com alimentação, moradia e remédios[116]. “Graças à munificência do conde de Leolpoldina, que foi uma espécie de tesouro da expedição e abriu generosamente sua bolsa aos companheiros de exílio, permaneceram todos em S. Isabel do Rio Negro”[117].

Os prisioneiros chegam, ainda, a publicar em jornal amazonense uma carta de protesto:

“É preciso que se saiba que o governo do Sr. Floriano Peixoto, não tendo tido coragem precisa para cumprir o decreto de fuzilamento que redigiu para alguns dos nossos e que, em tempo sonegou, pretende traiçoeiramente matar-nos fazendo seus cúmplices as cachoeiras do Rio Negro, a fome e as moléstias. Das cachoeiras nos livrou a falta de condução, da fome, as relações do Conde de Leopoldina em Manaus, das moléstias … a Providência”[118].

Outro problema a ser enfrentado eram as cheias do Rio Negro. “Restava apenas aos exilados cerca de 8 à 10 metros de terra ainda são atingida pelas águas!”[119].

Já com a dos doentes recuperados, os desterrados resolveram abandonar Santa Isabel, fugindo das péssimas condições em que viviam, agravadas por uma enchente do Rio Negro, em que até um cemitério próximo de onde se instalaram foi  arrastado[120].

Ficaram em Santa Isabel por cerca de 50 dias[121]. Decidiram, então, descer o rio, utilizando-se de pirogas dirigidas por índios e soldados, até São Joaquim de Tomar[122], uma pequena povoação mais convidativa, “um luxo em comparação à anterior”[123].

Localidade mais desenvolvida, lá os desterrados se abasteciam de mantimentos e se acomodavam em duas casinhas de taipa[124], vivendo em melhores condições. Distante do centro político, sem meios de comunicações com o mundo exterior, eles gastavam o tempo em caçar e pescar. Entretanto, dois sonhos iriam mudar os seus planos de permanecerem naquele “cárcere”.

“Em certa noite, estavam os prisioneiros dormindo nas suas redes, quando acordam aos gritos de Patrocínio, entremeados de lágrimas:

— O meu filho morreu! O meu filho morreu!

Todos procuram acalmá-lo, tentando dissuadir o percipiente daquele pesadelo…

Passaram-se dias… Patrocínio recebia, de fato, notícias do Rio de Janeiro, informando-o da morte de um de seus filhos, ocorrida naquela época”.

O segundo sonho, e capital para a mudança de planos, ocorreu com Seabra:

“À semelhança do seu companheiro, ele acordou em meio da noite, gritando num alvoroço para os colegas adormecidos:

— Arrumemos as malas! Foi concedida a anistia!

Estimulados pelos precedentes telepáticos de Patrocínio e pelo ardente desejo de pôr fim àquele cativeiro inóspito, os desterrados resolvem… abandonar a solidão daquelas plagas e sobem o rio numa barcaça em direção a Manaus”[125].

No caminho de volta, os fugitivos encontram-se com um vapor da Marinha brasileira que seguia para Santa Isabel com a notícia da anistia e com a ordem de trazê-los do desterro[126].

A anistia fora concedida no dia 05 de agosto de 1892, mas a notícia lhes chegava apenas no final do mês. Libertados, eles foram enviados para Manaus. Lá os desterrados foram recebidos “com o maior e mais delirante entusiasmo por parte da população”[127]. Seabra, então, em praça pública, proclamou o Marechal José de Almeida Barreto como Presidente da República[128]. Seabra não se intimidara com as violências de Floriano e teimou em desafiá-lo novamente. O Governador do Amazonas, aliás, noticiava esse fato ao então Presidente, por telegrama: “Seabra Lavrador e outros anistiados Cucuy tem pronunciado discursos violentos contra vosso patriótico governo”[129].

Na Capital amazonense Seara ainda falaria no Congresso Estadual, dirigindo-se aos senadores[130] e em banquete oferecido pelo chefe do Partido nacional local[131].

De Manaus, embarcaram num vapor de volta ao Rio de Janeiro. Antes de chegarem à Capital Federal, os egressos do cativeiro aportaram em Belém do Pará, em 30/08/1892[132], sendo também recebido com festividade e em banquete oferecido pelo Barão de Cametá[133]. Em Belém eles chegam a encomendar uma missa em homenagem ao Marechal Deodoro, morto em 22/08/1892.

De Belém, os anistiados, partiram, no 31/08/1892, com destino a Recife, em cuja cidade chegaram no dia 8 de setembro de 1892.

Na capital de Recife, Seabra não foi recebido na sua Faculdade. No dia 08 de setembro de 1892 era feriado e a Faculdade estava fechada. O seu Diretor, entretanto, mandou abrir a Faculdade, mas colocou a polícia à frente para impedir a entrada de Seabra, que foi recebido pelos estudantes no cais do Porto e conduzido até aquela entidade[134]. Contudo, foi recebido com festa e banquete por seus amigos, inclusive por José Mariano[135]. Entre os estudantes, vários lançaram manifestação pública de apoio a Seabra, entre eles o futuro Governador da Bahia Góes Calmon[136].

Já no dia seguinte, que era útil, o Diretor da faculdade mandou fechá-la. Seabra, então, deixou um cartão pregado à porta: “José Joaquim Seabra, lente catedrático, despede-se dos seus colegas e discípulos e agradece-lhes as manifestações honrosas que lhe fizeram”[137]. No mesmo dia embarcaria a caminho de Salvador[138]. Antes, porém, de chegarem a Salvador, Seabra e comitiva pararam em Macéio, onde foram recebidos, no dia 10/08/189, com forte entusiasmo pela população[139].

Seabra retornou a Salvador no dia 11/09/1892. Seabra narra: “ainda me recordo bem, em noite chuvosa, a mocidade daquele torrão abençoado quis fazer-me uma manifestação: o Governo de então negou-lhe tudo, até a música. Houve um homem, porém, que compareceu, galharda e altivamente, a essa manifestação: foi o inspetor do Arsenal de Guerra, o atual Marechal Hermes da Fonseca, naquela época Tenente-Coronel”[140]. E com ele tocou a banda de música do Arsenal de Guerra[141]. Essa conduta de Hermes da Fonseca seria, mais tarde, invocado por Seabra para justificar sua adesão à candidatura do já então Marechal à Presidência da República, em oposição à Rui Barbosa[142].

Seabra, em Salvador, se hospedou na casa de seu pai, tendo ofertado jantar para os seus companheiros de viagem. A este evento compareceram diversos amigos, além do Tenente-Coronel Hermes da Fonseca[143]. No dia seguinte, Seabra foi recebido na Faculdade de Direito e homenageado no discurso do acadêmico Campos França[144]. Depois ele seguiria para o Rio de Janeiro, sendo recebido, no dia 16 de setembro de 1892, pelos amigos[145].

No dia 14 de setembro, em sua viagem para o Rio de Janeiro, Seabra aporta em Vitória do Espírito Santo. Ali, Seabra faria novo discurso, rompendo insultos contra Floriano[146]. Como um popular que assistia ao discurso se contrapôs, Seabra “atirou os mais ignóbeis impropério, não só contra o ilustre Marechal e o seu governo como contra o Congresso Federal, chamando-os de traidores e assassinos”[147].

Ao retornar ao Porto, Seabra ainda seria vaiado por aqueles que apoiavam Floriano. Calórico, Seabra, “de copo em punho”,  ainda causaria tumulto ao embarcar no navio, já que foi confrontado pelo Comandante da Polícia local, que também seguia em viagem para o Rio de Janeiro[148]. Chegou a afirmar que “não tinha medo de todos reunidos e que ele só faria correr a todos os seus adversários”[149]. Esse era o Seabra de sempre[150].

De volta à Capital Federal, Seabra reassumiria sua cadeira de Deputado Federal, relatando, na tribuna da Câmara, as violências e privações que sofrera por conta das arbitrariedades, de Floriano e caberia a seu companheiro de desterro, José do Patrocínio, reproduzir esse momento grandioso de Seabra.

“Majestoso de virilidade cívica, falou, ontem, o Deputado Seabra. Alto, musculatura de um rapaz grego que vai lutar na olimpíada, voz de uma suavidade já meiga e dolente, já formidável e tempestuosa, o tribuno mártir começou a escrever na história nacional a odisseia dos desterrados. A hostilidade, quase agressiva da maioria, devia azedar-lhe ainda mais o amargor do exílio. Não obstante, ele foi, calmo como um dia sereno de verão, cuja luz canicular deslumbra e entontece”[151].

Mas Seabra não se limitou a denunciar os atos de violência sofridos, também protestou contra a concessão da anistia aos desterrados:

“Essa anistia foi a última injúria que se nos poderiam fazer…  a Câmara perdoe-me… queríamos que ela defendesse acima de tudo, a lei e a Constituição… se não temos um meio legal de recusar a anistia, resta o recurso moral de lançar esse protesto… Queríamos responder perante os tribunais, confiados na justiça de nossa causa”[152].

O deputado baiano não cessava de se opor à política de Floriano, sendo, cada vez mais, apaixonado em seus ataques e desafios constantes. Em 4 de maio de 1893, Seabra juntamente com os deputados Jacques Ourique e Vicente do Espírito Santo, esses dois também militares, apresentou à Câmara dos Deputados uma denúncia contra o Presidente Floriano requerendo o seu impeachment (o primeiro apresentado ao Congresso Nacional contra um presidente), apoiando-se nas irregularidades levadas a efeito pelo Presidente na reforma administrativa de oficiais do Exército e da Marinha, na demissão de professores vitalícios (Seabra fora um deles), na irregularidade da fusão do Banco do Brasil e da Republica, na emissão da moeda e, ainda, no recrutamento forçado e intervenção indevida nos negócios peculiares do Estado do Rio Grande do Sul. Este ato de Seabra, na vigência de uma quase ditadura, demonstrava bem o quanto ele era destemido e corajoso. Chegara a ser ameaçado de morte caso levasse adiante essa denuncia, mas, mesmo assim, não recuou. A Câmara, como era de se esperar, rejeitou, por maioria, a denúncia[153].

A rejeição de sua denúncia não fez com que Seabra deixasse de continuar sua oposição ao governo de Floriano Peixoto. A Revolução Federalista no Rio Grande do Sul reviveu as crises políticas. O Brasil vivia uma verdadeira guerra civil no Sul do País. Seabra e outros elementos deodoristas tentaram aprovar na Câmara dos Deputados um projeto de paz para aquele estado sulista. No entanto, a maioria favorável a Floriano não permitiu a aprovação desse projeto por não ser de interesse do Presidente[154].

É sob esse clima de insatisfação e incertezas sobre o futuro da República é que, no dia 6 de setembro daquele ano, eclodiu a Revolta da Armada, comandada pelo Almirante Custódio de Melo. Na madrugada daquele dia, Custódio mandou um ultimatum a Floriano e divulgou uma proclamação à nação.

Enquanto era divulgado esse manifesto, vários deputados, entre eles Seabra, Francisco de Matos, Augusto Vinhaes, Jacques Ourique, Anfrísio Fialho e Alexandrino Alencar[155], embarcavam no “Aquidaban”, navio capitânia da revolta, e lançavam outro manifesto à nação, à uma hora da manhã do dia 06/09/1892[156]: “diante da atitude francamente ditatorial assumida pelo Sr. Vice-Presidente da República que, levado ao poder em nome da restauração da Constituição Republicana de 24 de fevereiro, a tem calcado aos pés, sem o menor escrúpulo, já anulando afrontosamente a autonomia dos Estados, os princípios federativos, a própria honestidade política das fórmulas republicanas, negando sanção à lei que o incompatibilizava para a reeleição presidencial; já dividindo o País em vencedores e vencidos e esbanjando discricionariamente os dinheiros públicos, já, finalmente, mantendo caprichosamente a luta fratricida…; nós, representaria da soberania nacional, membros da oposição parlamentar… só tínhamos um caminho a seguir digno da República, que representamos — a resistência, que é um sagrado direito dos povos livres, à opressão, desde que foram esgotados os meios constitucionais e legais”[157]. Era uma proclamação à insurreição popular contra atos arbitrários de uma autoridade ilegitimamente no poder.

Contudo, Floriano não se deixou intimidar e reagiu violentamente àquele ultimatum dos revoltosos que clamavam por eleições presidenciais. A cidade do Rio de Janeiro foi bombardeada pelos revoltosos. Criou-se um impasse na luta. Diante da resistência de Floriano e da falta de um apoio maior para se fazerem vencedores, os revoltosos decidem se unir aos federalistas do Rio Grande do Sul, conquistar Desterro (hoje Florianópolis) e lá estabelecer um governo provisório com o intuito de trazer um aspecto de legalidade ao movimento e a declaração de beligerância, que faria com que a comunidade internacional se mantivesse neutra e impedida de vender armas e navios de guerra ao governo de Floriano.

Seabra a bordo do navio Aquidaban, adoeceu com o retorno da febre palustre adquirida em seu desterro na Amazônia. Já em fins de outubro ficara decidido entre ele e o Almirante Custódio de Mello, que Seabra deveria seguir viagem para o Uruguai e de lá, caso fosse necessário, voltar para Santa Catarina[158]. Antes de sua partida no navio “Marte”, Seabra se encontraria com o Alm. Saldanha da Gama que, até então, mantinha-se neutro em relação à revolta[159].

Em Montevidéu, Seabra se encontrou com Gaspar Silveira Martins, líder da Revolta Federalista e monarquista fervoroso, tendo, inclusive, se exilado na Europa após a proclamação da República por discordar desta. Resolveram, então, enviar a Santa Catarina, uma comissão chefiada pelo Conselheiro Arthur Antunes Maciel e composta pelo próprio Seabra e, ainda, Silva Tavares e Barros Casal, para entender-se com a Junta Governativa do Governo Provisório ali implantado pelos revoltosos. Eles iriam tentar modificar a composição da Junta por acharem que ela não representava todas as forças envolvidas na revolta contra o governo de Floriano[160].

Essa comissão partiu de Montevidéu sob a proteção do governo uruguaio a pedido de Seabra ao próprio presidente daquela República Sul-Americana. Os nomes propostos para compor a Junta Governativa eram do Cons. Antunes Maciel para sua chefia e de Seabra para o Ministério das Relações Exteriores. Rui Barbosa ficaria incumbido de seguir viagem para a Europa a fim de levantar um empréstimo e tratar do estado de beligerância, que seria de logo reconhecida pelo governo de Buenos Aires, onde Rui se encontrava[161].

Os revoltosos, reunidos com o Alm. Custódio de Mello, o Ten. Frederico Guilherme Lorena, o então chefe da Junta Governativa, e outros elementos favoráveis a Custódio de Mello, não chegaram a um acordo[162]. A incompatibilidade provoca o rompimento entre os revolucionários. Seabra tenta de todas as formas modificar a Junta Governativa, procurando dar-lhe uma nova feição para que o movimento não se dividisse. Essas tentativas se mostram infrutíferas[163] diante da “vaidade de um Lorena, a inépcia e orgulho de um Custódio de Mello, todos dirigidos pela maldita seita positivista”[164].

Desde a adesão de Saldanha da Gama ao movimento, com o lançamento de seu manifesto proclamando a restauração da Monarquia, a revolta estava fadada a se exaurir por si mesma. Aquele manifesto desagradou profundamente a opinião pública que inicialmente se comportava de modo simpático à causa dos revoltosos. Com a incompatibilidade criada entre estes na indicação da Junta Governativa, o movimento revolucionário tendia, cada vez mais, a se debilitar.

Em 25 de dezembro, Seabra, já sem esperança com a revolução, seguiria, a bordo do “Malvinas”, de volta para o Uruguai, para manter-se em exílio. Parou em Santa Rosa, fronteira com o Uruguai, hospedando-se na casa do Coronel Joaquim Vasques, homem rico e que tinha sido representante, durante a Monarquia, da Assembleia Geral Legislativa. Lá, Seabra ficaria por algum tempo acompanhando o desenrolar dos acontecimentos ligados à guerra do Sul do Brasil. Confirmado o fracasso da revolta, Seabra partiria para Montevidéu[165].

Em março de 1894, Saldanha da Gama rendeu-se às forças legalistas de Floriano. Perseguições arbitrárias, vinganças e fuzilamentos fizeram-se normais. O Ten. Frederico Guilherme Lorena, o Barão de Serro Azul (colaborador daquele movimento) e dezenas de outros revolucionários são fuzilados discricionariamente.

Exilado na Capital uruguaia e morando num hotel de “última classe”[166], Seabra escreveria para o jornal El Siglo e colaboraria para o periódico portenho El Razón, exibindo, a seu modo de ver, a relação entre os acontecimentos e a pessoa de Floriano Peixoto, descrevendo, ainda, todas as atrocidades cometidas peias forças militares deste. No exílio, ele ainda escreveria para os jornais El Dia, do Uruguai, e El Diário, da Argentina[167].

“Em La Razón e mesmo em El Siglo, o polemista e altivo político constitui-se atalaia irrendível dá revolução: todos os fatos merecem-lhe reparos, as discricionariedades presidenciais porfiadas acusações. Da sustentada série de artigos publicados por aqueles importantes órgãos, despertaram demorado rumor: El baile en Ia legación brasileira’; ‘Al Señor Don Eduardo Jones’. ‘El ministro de Peixoto em escena’, ‘La situació actual’; ‘Cuadros sombrios’, ‘Los franco tiradores’; ‘Assuntos brasileiros’; Famosa conferência com o redator do El Siglo, ‘La Mariña brasileira y el gobierno de Peixoto’ e ‘La Mariña brasilera Y la escuadra americana”[168].

Por essa época, também, publicou o célebre manifesto: “La tirania en el Brasil”, “Un hamamiento a las naciones cultas”; “Horribles crimenes de Peixoto”, “El Marechal Floriano Peixoto”, “Revelaciónes del Doctor Seabra — Montevidéu, 1894”. Foram reproduções dos periódicos El Siglo e El Dia em forma de opúsculo dividido em duas partes ou duas cartas, datada de 28 de junho e 8 de julho de 1894. Na primeira, tem-se notícia de 34 (trinta e quatro) militares de terra e mar e de paisanos que foram fuzilados pelo Coronel Moreira César, por ordem de Floriano, A segunda parte, que tem por título “El Marechal Floriano Peixoto, mas asesinatos”, narra outros crimes cometidos pelas tropas de Floriano, especialmente pelo Coronel Ewerton Quadros, no Paraná[169].

Elevado à presidência em 15 de novembro de 1894, o paulista Prudente de Morais resolveu pacificar o Sul do País pondo um termo final àquela luta fratricida que não cessava de empoçar de sangue as terras sulistas. Neste sentido, começa por negociar, com as partes interessadas, a melhor maneira de resolver os problemas políticos envolvendo o Rio Grande. Essas negociações evoluiriam e teriam o seu desfecho final com a concessão da anistia, em 11 de outubro de 1893, a todos os revolucionários que haviam empunhado armas contra a autoridade constituída e contra o princípio da lei.

Anistiado, Seabra retornaria ao Rio de Janeiro já sem mandato de deputado federal, por ter esse se extinguido em 15 de novembro do ano anterior. Em 19 de novembro de 1895 o Presidente Prudente de Morais, com base em precedente do STF, em ação proposta pelo Marechal. José Almeida Barreto, acabou por revogar o ato de exoneração de Seabra da Faculdade de Direito[170], o que permitiu sua reintegração.

Em 14 de dezembro de 1895, já reintegrado na cadeira de Economia Política, Seabra paraninfaria a turma de bacharelandos da Faculdade de Direito do Recife, escolha que demonstrava o quanto ainda era querido pelos acadêmicos daquela escola superior[171].

* *

Saber ao certo qual a intenção de Seabra em participar da Revolta da Armada e depois unir-se aos federalistas comandados por Gaspar Silveira Martins, torna-se um pouco difícil diante da pouca documentação a respeito das tramas dos revoltosos, o que é característico em qualquer movimento de rebelião, bem como dos poucos e contraditórios depoimentos dos envolvidos na Revolta.

Inicialmente, aliou-se a Custódio de Mello (que assinara, enquanto Ministro, o ato de seu desterro) com a intenção de forçar Floriano a convocar as eleições presidenciais que, constitucionalmente, deveriam ter sido convocadas desde a renuncia do Mal. Deodoro da Fonseca. Em seguida, abandonou-o para aliar-se a Silveira Martins no Uruguai, “onde vivia a dar arras de seu monarquismo”[172].

Talvez, quem sabe, Seabra voltara ao seu velho pensamento de tornar o Brasil uma federação monárquica, pensamento que, com tanta ênfase, defendera nas eleições de 31 de agosto de 1889, setenta e cinco dias antes de proclamada a República.

Mas tudo não passa de suposições. Até hoje se põe dúvidas sobre as verdadeiras intenções de Saldanha da Gama e de Gaspar Silveira Martins em delegar ao povo a escolha do regime de governo (Monarquia ou República).

Uma coisa, porém, é certa, Seabra lutava pelo princípio federativo que tanto foi violentado pelo Marechal Floriano Peixoto. Certo de que ele não obedeceria a esse princípio e ainda desrespeitava o mandamento que ordenava a convocação das eleições presidenciais, Seabra preferiu resistir “à opressão”, “direito sagrado dos povos livres”, e amargar por essas suas atitudes de coragem um desterro que quase lhe custou a vida, um exílio no Uruguai e um pequeno período de ostracismo político. Mas não se pode perder de vista que Seabra era, à época, um “moço muito acessível ao furor do entusiasmo”[173].

Desse período, porém, já se podia antever que Seabra, estreante na vida política nacional, não seria um mero coadjuvante. De início, em seu primeiro mandato, já mostrava a sua garra, coragem e destino de protagonista da história brasileira e, em especial, da Bahia.

Essa sua maneira de ser, porém, acarretaria em grande resistência ao seu nome entre os políticos da “Província”.


[1] Jayme Junqueira Aires, Seabra, Líder Autonomista, A Tarde de 03/09/1955.

[2] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[3] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p. Seabra, mais tarde, também se tornaria adversário político de seu cunhado.

[4] Antonio Ferrão Moniz de Aragão, A Bahia e seus Governadores na República, p. 483.

[5] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[6] Jornal de Notícias de 12/08/1889.

[7] Luiz do Nascimento, História da Imprensa de Pernambuco, vol. VI, p. 210.

[8] Diário de Notícias, 15/01/1886, p. 1.

[9] Barão, depois Visconde de Guaí, Sr. Joaquim Elísio Pereira Marinho (1841-1914). Foi deputado pela Bahia nas legislaturas de 1881 a 1889. Foi Ministro da Marinha de 8 de fevereiro a 7 de junho de 1889. Chegou a presidir a Associação Comercial da Bahia, de 1870 a 1890. Foi agraciado com o título de Barão em 26 de abril de 1879 e com o título de Visconde às vésperas da Proclamação da República, em 31 de outubro de 1889.

[10] Jornal de Notícias de 19/07/1889 e 12/08/1889.

[11] Jornal de Notícias de 05/08/1889.

[12] Jornal de Notícias de 31/08/1889.

[13] Jornal de Notícias de 14/08/1889.

[14] Jornal de Notícias de 17/08/1889.

[15] Jornal de Notícias de 20/08/1889.

[16] Jornal de Notícias de 23/08/1889.

[17] Jornal de Notícias de 26/08/1889.

[18] Jornal de Notícias de 26/08/1889.

[19] Jornal de Notícias de 27/08/1889.

[20] Jornal de Notícias de 28/08/1889.

[21] Jornal de Notícias de 30/08/1889.

[22] Jornal de Notícias de 12/08/1889.

[23] Jornal de Notícias de 12/08/1889.

[24] Jornal de Notícias de 23/08/1889.

[25] Jornal de Notícias de 19/08/1889.

[26] Jornal de Notícias de 19/08/1889.

[27] Jornal de Notícias de 23/08/1889.

[28] Jornal de Notícias de 23, 26 e 31/08/1889.

[29] Silvia Noronha Sarmento, A Raposa e a Águia. J. J. Seabra e Rui Barbosa na política baiana da Primeira República, p. 39; Cf., ainda, Joaquim Nabuco, Campanha abolicionista no Recife (eleições de 1884). p. 6.

[30] Jornal de Notícias de 31/08/1889.

[31] Jornal de Notícias de 01/09/1889.

[32] Francisco Borges de Barros, , Dr. J. J. Seabra, Sua Vida, Sua Obra na República, p. 36.

[33] Antonio Ferrão Moniz de Aragão, A Bahia e seus Governadores na República, p. 484.

[34] Jornal de Notícias de 01/09/1889.

[35] Antonio Moniz, A Bahia e seus Governadores na República, p. 484.

[36] Antonio Moniz, A Bahia e seus Governadores na República, p. 484.

[37] Revista Diretrizes, n. 94, abril de 1942

[38] Francisco Borges de Barros, Dr. J. J. Seabra, Sua Vida, Sua Obra na República, p. 36.

[39] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[40] Diário de Notícias, 13/02/1890.

[41] Jornal de Notícias, 23/02/1890.

[42] José Murilo de Carvalho, Rui Barbosa e a Razão Clientelista, p. 5.

[43] A Província, 09/05/1890, p. 1.

[44] Interessante destacar que Seabra estava inscrito como eleitor do 4º Quarteirão do 1º Distrito Eleitoral da Freguesia da Boa Vista em Recife, A Província, 27/06/1890, p. 2.

[45] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[46] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[47] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[48] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[49] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[50] A Província, 05/07/1890, p. 1.

[51] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[52] Consuelo Novais Sampaio, Os Partidos políticos da Bahia na Primeira República. Uma política de Acomodação, p. 32.

[53] A Província, 17/10/1890, p. 2. Seu cunhado, José Augusto de Freitas foi o deputado mais votado, com 46.108 votos.

[54] Na chapa de Seabra ainda estavam inscrito, mas não foram eleitos, Severino Vieira, José Marcelino de Souza e o Conselheiro Saraiva (para senador).

[55] A Província, 28/10/1890, p. 2.

[56] Anais da Constituinte de 1891, vol. I.

[57] Entrevista à Revista Diretrizes, n. 94, abril de 1942.

[58] Entrevista à Revista Diretrizes, n. 94, abril de 1942.

[59] Francisco Borges de Barros, Dr. J. J. Seabra, Sua Vida, Sua Obra na República, p. 51-52.

[60] Antonio Ferrão Moniz de Aragão, A Bahia e seus Governadores na República, p. 485.

[61] Anais do Congresso Constituinte (1890-1891), p. 193.

[62] Antonio Ferrão Moniz de Aragão, A Bahia e seus Governadores na República, p. 485; Sertório de Castro, A República que a Revolução Destruiu, p. 48.

[63] José Maria Bello, História da República, p. 89.

[64] Honorato Cândido Ferreira Caldas (pseud.. Kleber), A Legalidade de 23 de Novembro, p. 254.

[65] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 198. Este livro, com nova denominação, é a segunda edição de “O Tigre da Abolição”.

[66] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 198. O Tenente-coronel Mena Barreto iria participar mais uma vez da vida de Seabra em 1912, quando do episódio do bombardeio de Salvador, quando, à época, ele ocupava o Ministério da Guerra (do Exército).

[67] Custodio José de Melo, O Governo Provisório e a Revolução de 1893, p. 274-275.

[68] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Anais da Câmara dos Deputados, 22/09/1892, p. 437. Todos os diários e anais do Congresso Nacional estão disponíveis, integralmente, no site da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

[69] Edgar Carone, A Primeira República (1889-1930), p. 93-94; Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra. sua vida, sua obra na República, p. 85 e nota de rodapé.

[70] Custodio José de Melo, O Governo Provisório e a Revolução de 1893, p. 275-276.

[71] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Anais da Câmara dos Deputados, 22/09/1892, p. 438-439.

[72] Diário de Manáos, 04/05/1892.

[73] Cidade do Rio, 10/04/1893.

[74] O Combate, 12/04/1892.

[75] Cucuí é um distrito do município de São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas. Distante 205 km pela Rodovia BR 307 e aproximadamente 250 km através de navegação pelo Rio Negro da sede de São Gabriel da Cachoeira e 850 km de Manaus. Cucuí fica na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela. Censo realizado em 2010 revelou a existência de 600 habitantes no Distrito. Por tal dado se verifica o que era Cucuí em 1892! In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cucu%C3%AD, acessado em 13/04/2012.

[76] O título de Conde de Leopoldina foi concedido, por venda, pelo Rei de Portugal D. Carlos I. Cf. Marcus Antônio Croce, O encilhamento e a economia de Juiz de Fora: o balanço de uma conjuntura (1888-1898), p. 8.

[77] Sertório de Castro, A República que a Revolução Destruiu, p. 63.

[78] Ainda hoje é sede de posto militar. In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cucu%C3%AD, acessado em 13/04/2012.

[79] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 85.

[80] Rui Barbosa, Oração – Habeas Corpus perante o STF em 23/04/1892, p. 20.

[81] Rui Barbosa, Oração – Habeas Corpus perante o STF em 23/04/1892, p. 22-23.

[82] A decisão  pode ser encontrada no site do STF, in http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/sobreStfConhecaStfJulgamentoHistorico/anexo/HC300.pdf.

[83] Joaquim de Toledo Piza e Almeida.

[84] Sertório de Castro, ob. cit., p. 299. A decisão do STF pode ser encontrada in http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/sobreStfConhecaStfJulgamentoHistorico/anexo/HC300.pdf.

[85] Diário de Notícias, 14/04/1892.

[86] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 207-208.

[87] Transcrito no Correio Paraense, 11/05/1892, p. 2. IN http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=\\192.168.140.1\bn03\302619\302619.DocPro&pesq=Seabra.

[88] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 208.

[89] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 88-96.

[90] Rita de Cássia Azevedo Ferreira de Vasconcelos, República sim, escravidão não: o republicanismo de José do Patrocínio e sua vivência na República, p. 164. Com redação atualizada.

[91] Os desterrados, Diario de Manáos, 1 de maio de 1892. Com redação atualizada.

[92] Arquivo Nacional, Coleção Floriano Peixoto. BR NA, RIO Q6. LEG. COR, TEL. 28. Telegrama de 25 de abril de 1892.

[93] Protesto. Diario de Manáos, 1 de maio de 1892. Também reproduzido no Correio Paraense, 12/05/1892, p. 2 e 3. In: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=302619&PagFis=610.

[94] Correio Paraense, 12/05/1892, p. 2. O protesto foi assinado por Almeida Barreto, Jacques Ourique, Seabra, Gonçalves Leite, Raymundo Miranda, Manoel Lavrador, Campos da Paz, Conde de Leopoldina e José do Patrocínio.

[95] Rita de Cássia Azevedo Ferreira de Vasconcelos, República sim, escravidão não: o republicanismo de José do Patrocínio e sua vivência na República, p. 166-167.

[96] Santa Isabel do Rio Negro atualmente é um município no Estado do Amazonas. Em seu território estão localizados o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março. Sua população estimada em 2004 era de 16.622 habitantes. In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Isabel_do_Rio_Negro. Acesso em 15/04/2012. Hoje, para chegar ao município saindo de Manaus, são três dias de viagem de barco regional. De avião, os 620 km de distância da capital são percorridos em uma hora e meia, in: http://portalamazonia.globo.com/pscript/amazoniadeaaz/artigoAZ.php?idAz=782.

[97] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Anais da Câmara dos Deputados, 23/09/1892, p. 476.

[98] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 84-85. Com redação atualizada.

[99] Conde Ermanno Stradelli (1862-1926), geógrafo italiano que viveu no Amazonas por mais de 40 anos, tendo escrito a gramática da língua geral português-nheêngatú e nheêngatú-português.

[100] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 56.

[101] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 210.

[102] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 58.

[103] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Diário da Câmara dos Deputados, 23/09/1892, p. 477.

[104] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 60.

[105] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Diário da Câmara dos Deputados, 23/09/1892, p. 477.

[106] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 209.

[107] Luiz Marrat, discurso na Câmara dos Deputados, Diário do Congresso Nacional de 15/06/1892, p. 283.

[108] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 210.

[109] Os deportados,  Diario de Manáos, 21 de junho de 1892.

[110] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 210-211.

[111] Estado de São Paulo, 28/07/1892, p. 1.

[112] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 63.

[113] Os desterrados de Cucuy. Diario de Manáos, 21 de maio de 1892.

[114] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, DOU de 22/09/1892, p. 1804.

[115] Correio Paraense, 07/07/1892, p. 2.

[116] Diario de Manáos, 10 de agosto de 1892.

[117] Silvio Peixoto, No tempo de Floriano, p. 125.

[118] Os deportados, Diario de Manáos, 21 de junho de 1892.

[119] Os exilados de S. Izabel, Diario de Manáos, 20 de julho de 1892.

[120] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 60.

[121] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Diário da Câmara dos Deputados, 23/09/1892, p. 477.

[122] Ou conhecida como São Joaquim do Rio Negro. Localiza-se na margem direita da foz do Rio Uaupés, afluente da margem direita do alto Rio Negro. Hoje cidade de São Joaquim, no Estado do Amazonas.

[123] Caio Vieira da Cunha, No tempo de Patrocínio, p. 60.

[124] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 211.

[125] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 212.

[126] Osvaldo Orico, Patrocínio, p. 212.

[127] Correio Paraense, 24/08/1982, p. 2.

[128] Edgar Carone, A Primeira República (1889-1930), p. 96. Cf. Arquivo Nacional, Coleção Floriano Peixoto, telegrama 27 de agosto de 1892.

[129] Arquivo Nacional, Coleção Floriano Peixoto, telegrama 27 de agosto de 1892.

[130] Correio Paraense, 31/08/1982, p. 2, onde se encontra transcrito o discurso. Nele Seabra agradece a receptividade e clama pelo respeito à liberdade e vitória da República.

[131] Correio Paraense, 31/08/1982, p. 2.

[132] Correio Paraense, 31/08/1982, p. 1.

[133] Correio Paraense, 02/09/1892, p. 2.

[134] Nelson Carneiro, Centenário de Seabra, discurso pronunciado na Faculdade de Direito do Recife ao ensejo das comemorações em torno do centenário de nascimento de J. J. Seabra, agosto de 1955.

[135] José Mariano, Discurso na Câmara dos Deputados, Diário da Câmara dos Deputados, 22/05/1899, p. 131.

[136] O Paiz, 10/09/1892, p. 1.

[137] J.J. Seabra, discurso proferido na Câmara dos Deputados, Anais da Câmara dos Deputados, 23/09/1892, p. 481; O Paiz, 11/09/1892, p. 1.

[138] Alexandre José Melo Morais Filho, Um Estadista da República, p. 53-59.

[139] O Paiz, 12/09/1892, p. 1.

[140] Discurso proferido na Câmara dos Deputados, sessão de 17/09/1909, Diário da Câmara dos Deputados de 18/09/1909, p. 1607.

[141] O Paiz, 13/09/1892, p. 1.

[142] Discurso proferido na Câmara dos Deputados, sessão de 17/09/1909, Diário da Câmara dos Deputados de 18/09/1909, p. 1607.

[143] O Paiz, 14/09/1892, p. 1.

[144] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[145] Renato Berbert de Castro, Cronologia de J. J. Seabra, Do nascimento ao desterro. 1855-1892, s.p.

[146] O Estado do Espírito Santo, 16/09/1892, p. 1.

[147] O Estado do Espírito Santo, 16/09/1892, p. 1.

[148] O Estado do Espírito Santo, 16/09/1892, p. 1.

[149] O Estado do Espírito Santo, 16/09/1892, p. 1.

[150] Cf. Gazeta de Notícias, 16/09/1892, p. 2.

[151] José do Patrocínio, A Sessão de Ontem, apud Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 73-77.

[152] Anais da Câmara dos Deputados em 1892, vol. V, p. 492 e segs.

[153] José Maria Bello, ob. cit., p. 105 e segs; Francisco Borges de Barros, ob. cit., p. 104, na qual está transcrita a petição e denúncia.

[154] Edgard Carone, A Primeira República (1889-1930), p. 113.

[155] Sertório de Castro, A República que a Revolução Destruiu, p. 72; Edgard Carone, A Primeira República (1889-1930), p. 122.

[156] Gazeta de Notícias, RJ, 08/09/1893, p. 1.

[157] Epaminandas Villalba, A Revolta da Armada de 6 de setembro de 1893, p. 38-39.

[158] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 100.

[159] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 100; Jornal do Comércio de 21/08/1955;

[160] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 100.

[161] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 100-101.

[162] José Cândido da Silva Muricy, A Revolução de 1893 – Nos Estados de Santa Catarina e Paraná, p. 169.

[163] José Júlio Silveira Martins, Silveira Martins, p. 395.

[164] Carta de Seabra a Silveira Martins, in Dunshee Abranches, A Revolta da Armada e a Revolução Rio-Grandense, v. I, p. 44.

[165] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 101-102.

[166] Francisco Borges de Barros, Da Amazônia ao Paraná. Diário de uma campanha cívica, p. 131.

[167] A Tarde de 07/12/1942; Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 102.

[168] Alexandre José Melo Morais Filho, Um Estadista da República, p. 77.

[169] Francisco Borges de Barros, Dr. J, J. Seabra, sua vida, sua Obra na República, p. 102-103.

[170] DOU de 19/11/1889, p. 1.

[171] O discurso de paraninfo está transcrito in Alexandre José Melo Morais Filho, Um Estadista da República, p. 113-116.

[172] Dunschee de Abranches, Como as faziam Presidentes, p. 207.

[173] O Tempo, 01º/05/1892.

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